Saúde E BEM-ESTAR

Saúde no Amazonas chegou ao ‘fundo do poço’, diz Conselho Regional de Medicina

Presidente da entidade afirmou que falta antibiótico, gaze e até algodão. “Há dois anos não se faz um transplante”. Ele rechaçou a hipótese de que o desabafo seja uma resposta à fiscalização da frequência dos médicos.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam), José Bernardes Sobrinho, chamou a imprensa amazonense na manhã desta quinta-feira (29), em Manaus, para denunciar o estado de calamidade por qual passa o sistema de saúde no Estado.

“Nas unidades de saúde falta antibiótico, gaze e até algodão. Há dois anos não se faz um transplante sequer. Se a pessoa tiver um infarto, não há anticoagulante e a pessoa pode morrer. Gestores de hospitais estão pegando macas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para colocar pacientes nos corredores, deixando as viaturas sem condições de atender emergências. Hoje mesmo vou denunciar essa situação deplorável ao Ministério Público Estadual (MP-AM)”, desabafou Sobrinho.

O atendimento de urgência em Manaus, segundo o presidente do Cremam, até pouco tempo, era considerado um dos melhores do Brasil. De acordo com José Bernardes Sobrinho, frequentemente, cirurgias são suspensas por falta de insumos básicos e essenciais na urgência, tais como heparina, órteses, próteses, leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e leitos de recuperação pós-anestésica, entre outros.

Sobrinho rechaçou a hipótese de que o desabafo dele seja uma resposta à decisão do Estado em fiscalizar a frequência dos médicos por meio de câmeras. “Cada gestor de unidade de saúde tem que fiscalizar seus funcionários, de médicos a prestadores de serviços gerais”, disse o médico.

Reposta da Susam

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que assumiu o órgão em outubro de 2017, após as eleições suplementares, e que recebeu as unidades da capital e do interior com sérios problemas e em meio a investigações pela Operação Maus Caminhos, deflagrada pela Polícia Federal.

“Em um único ano (2017), três governadores e quatro secretários de saúde passaram pelos respectivos cargos no Estado. A Susam, no entanto, esclarece que vem trabalhando para resolver todas as situações encontradas nas unidades, muitas delas já solucionadas e outras em execução, conforme o plano de metas com cronograma estabelecido para o ano de 2018”, disse a Susam.

A secretaria ressaltou um investimento feito pelo Governo do Estado, do montante de R$ 65 milhões, em obras na saúde, que estão em andamento ou em planejamento para 2018. “O pacote inclui a conclusão das obras que estavam paradas na capital e interior e que foram retomadas por esta administração, além de reparos e manutenção predial corretiva e de equipamentos em geral, reformas e adequações em quase todas as unidades da capital”, disse a pasta.

A Secretaria de Estado de Saúde afirmou ainda que os profissionais do sistema são “testemunhas de como as unidades foram recebidas e do trabalho que vem sendo feito”. “Em apenas cinco meses de gestão, para reconstruir o setor e colocar os serviços que estavam parados em funcionamento”.

Investimentos

A Susam disse também que nos cinco meses desta administração avanços importantes já foram obtidos. Entre eles a entrega de enfermaria com 49 leitos no Hospital da Fundação Adriano Jorge. Todos os prontos-socorros infantis, segundo a Susam, estão passando por reformas, e as UTIs dos prontos-socorros da criança da Zona Sul e da Zona Oeste, conforme a secretaria, foram reformadas. O PSC da Zona Leste recebeu reforma no Centro Cirúrgico, e no Platão Araújo, a UTI infantil aumentou o número de leitos.

“Na capital, além da sede da Susam, 13 unidades de saúde estão passando por reformas e intervenções e outras estão planejadas para receber obras no próximo trimestre, incluindo todos os 12 Centros de Atenção Integra à Criança (CAICs)”, também divulgou a Susam.

“A Central de Medicamentos (Cema), que foi recebida com apenas 25% do estoque, está recompondo o abastecimento na rede, com a realização de licitações para compra dos produtos. O Programa de Transplante, que foi encontrado parado, está sendo retomado. Na Fundação Hospital Adriano Jorge, o ambulatório de pós-transplante já voltou a operar e o de pré-transplante deve entrar em funcionamento até junho. Além disso, a secretaria prepara uma concorrência nacional, para a contratação do serviço de transplante de rim e fígado. Também está em processo, a licitação para ampliar a oferta de hemodiálise na rede estadual”, divulgou a Susam.

A secretaria também informou que trabalha para legalizar todos os serviços que são prestados para o Estado, e que foram encontrados sem cobertura, bem como a revisão dos contratos firmados com as empresas médicas, de enfermagem e técnicos.

Presidente de empresa

A Susam afirmou também que o presidente do Cremam, José Bernardes Sobrinho, é presidente da empresa médica Univasc, terceirizada que presta serviços ao Governo do Amazonas. Segundo a secretaria, José Bernardes “acompanhou a degradação que ocorreu no setor nos últimos anos e sabe como o órgão foi recebido por esta administração”, consta na nota da Susam.

Fonte: AC

Editor/Chefe: Rogério dos Santos

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